O telefone em seu bolso tocou. Poderiam só ser duas pessoas e aquele seria o tão esperado sinal. Mas não era. Era somente mais um convite. Mas logo viria o sinal...
- E porque você não vai?
- Tenho um compromisso.
- Qual?
- Na verdade, não sei ainda.
- Como assim?!
- Tenho dois compromissos, e não sei para onde ir.
- Quais são os dois?
- Tenho de ir pra lá, estar com os meus e abraçar a querida com sorrisos sem motivo. Tenho de ir pra cá, cumprir rotina e esperar tudo acabar com o corpo coberto de suor.
- Se fores pra cá, vou contigo.
Era isto que lhe importava. Então encaminhou toda a vida para cá. Seu destino mudou como vento e tinha agora a certeza e em trinta minutos cumpriu o compromisso assumido. A intimação teria uma boa explicação, depois. Mas só se preocuparia com aqui exatamente depois.
E então, por cá, dançou tanta dança, riu tanto riso, gritou tanto canto e falou tanta conversa que tudo parecia estar indo bem, como sempre seria. Nada de surpresas, nada de mudanças. Somente mais do mesmo. As luzes baixas, os som repetidos, os movimentos bucólicos, a multidão passando, parando e se movimentando. E tinha de ser, sentia-se no centro daquele mundo que era só dele. Naquele mundo todos o olhavam. E não era total mentira, não. Movimentava-se tão excêntrico e harmonioso que realmente chamava a atenção de alguns. A mentira era o mundo dele e só dele. Não era mesmo. No mundo dele, ele dividia com uns e outros às vezes e o tempo inteiro dividia com aquele que estava a sua frente. Os dois movimentavam-se diferentes e iguais. Só se via de longe que se movimentavam juntos. Como uma peça de quebra-cabeça que tem de tentar as diversas posições até se encaixar.
Num determinado momento, finalmente, realmente estavam juntos. Bem próximo. Movimentando-se igual. Encaixando-se aos poucos. Iniciando-se pelos pés. Subindo ao quadril que era como estivesse se esticando de um lado a outro. Logo após o peitoral. E sentiram o calor do tronco um do outro. Sentiram o perfume na cartilagem do pescoço um do outro. Olharam-se nos olhos. Movimentavam-se. Um querendo sentir mais o outro, involuntariamente. Instintivamente movimentavam-se contra a parede. Todo o corpo parecia quase querer ser um só. As mãos entrelaçaram-se nos corpos, as pernas se trançaram. A parede chegou. A fronte se tocou. Tocaram-se as pontas do nariz. Inspiraram juntos e expiraram em sincronia, sentindo o ar quente que saía das entranhas. Os queixos se tocaram. Por fim, um sentiu o gosto do lábio do outro. E então, os dois corpos, um entrou no outro, e finalmente era um só. Para quem quisesse ver. Era um só corpo se movimentando ao ritmo da música. Era um só corpo se movimentando e sentindo no ritmo da pulsação sanguínea. E o sangue corria quente por entre aquelas veias.
- E porque você não vai?
- Tenho um compromisso.
- Qual?
- Na verdade, não sei ainda.
- Como assim?!
- Tenho dois compromissos, e não sei para onde ir.
- Quais são os dois?
- Tenho de ir pra lá, estar com os meus e abraçar a querida com sorrisos sem motivo. Tenho de ir pra cá, cumprir rotina e esperar tudo acabar com o corpo coberto de suor.
- Se fores pra cá, vou contigo.
Era isto que lhe importava. Então encaminhou toda a vida para cá. Seu destino mudou como vento e tinha agora a certeza e em trinta minutos cumpriu o compromisso assumido. A intimação teria uma boa explicação, depois. Mas só se preocuparia com aqui exatamente depois.
E então, por cá, dançou tanta dança, riu tanto riso, gritou tanto canto e falou tanta conversa que tudo parecia estar indo bem, como sempre seria. Nada de surpresas, nada de mudanças. Somente mais do mesmo. As luzes baixas, os som repetidos, os movimentos bucólicos, a multidão passando, parando e se movimentando. E tinha de ser, sentia-se no centro daquele mundo que era só dele. Naquele mundo todos o olhavam. E não era total mentira, não. Movimentava-se tão excêntrico e harmonioso que realmente chamava a atenção de alguns. A mentira era o mundo dele e só dele. Não era mesmo. No mundo dele, ele dividia com uns e outros às vezes e o tempo inteiro dividia com aquele que estava a sua frente. Os dois movimentavam-se diferentes e iguais. Só se via de longe que se movimentavam juntos. Como uma peça de quebra-cabeça que tem de tentar as diversas posições até se encaixar.
Num determinado momento, finalmente, realmente estavam juntos. Bem próximo. Movimentando-se igual. Encaixando-se aos poucos. Iniciando-se pelos pés. Subindo ao quadril que era como estivesse se esticando de um lado a outro. Logo após o peitoral. E sentiram o calor do tronco um do outro. Sentiram o perfume na cartilagem do pescoço um do outro. Olharam-se nos olhos. Movimentavam-se. Um querendo sentir mais o outro, involuntariamente. Instintivamente movimentavam-se contra a parede. Todo o corpo parecia quase querer ser um só. As mãos entrelaçaram-se nos corpos, as pernas se trançaram. A parede chegou. A fronte se tocou. Tocaram-se as pontas do nariz. Inspiraram juntos e expiraram em sincronia, sentindo o ar quente que saía das entranhas. Os queixos se tocaram. Por fim, um sentiu o gosto do lábio do outro. E então, os dois corpos, um entrou no outro, e finalmente era um só. Para quem quisesse ver. Era um só corpo se movimentando ao ritmo da música. Era um só corpo se movimentando e sentindo no ritmo da pulsação sanguínea. E o sangue corria quente por entre aquelas veias.
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