Casa de DL. Tudo está em silêncio e um calor como esses que fazem nos dias de hoje atormenta o dia. RM está no quarto. De cueca azul com detalhes em branco. Deitado atravessado na cama de solteiro que há no meio do quarto. O único som que vaza é o do ventilador de teto que tenta, sem muito sucesso, amenizar a sensação de forno. Lê um livro de capa azul e parece estar realmente envolvido por aquelas páginas brancas. A luz do sol ilumina todo o quarto. Parece que ele está sozinho até que DL aparece na porta.
DL: - Quer comer?
RM: - O que tem para comer?
DL: - Preparei torta de legumes.
RM: - Claro!
DL também de cueca, só que toda preta. Tem os pés descalços e ao aparecer na porta do quarto, se apoia com o braço direito na parede e cruza uma perna na frente da outra, apoiando-a no chão apenas pelos dedos dos pés. E ali permanece por toda a conversa até virar de costas e seguir até a sala. RM o seguia, calado e olhando para seu livro azul.
A casa é bem simples. Chão de tacos brilhantes, paredes amareladas e com bastante luz. Na sala há uma mesa redonda de madeira com cinco cadeiras iguaizinhas, também de madeira e acolchoadas; um sofá de três lugares alaranjado com umas almofadas com estampas indianas jogadas por cima; um móvel cor tabaco onde está a televisão, o aparelho de DVD, o aparelho de som, algumas garrafas de bebidas e uns enfeitos num estilo Kitsch; além de prateleiras apoiadas numa parede verde com livros e CDs quase tomando conta de toda a parede, fazendo um efeito furta-cor.
DL: - Senta, que ponho a mesa pra gente.
RM: - Deixa eu te ajudar?
DL: - Não.
RM sentou-se à mesa e esperou olhando para a janela de alumínio de onde via-sedo alto um infinito mar de outros prédios e de onde já escrevera antes sobre a selva-de-pedras.
DL: - Você gosta dessa paisagem, não é?
RM: - É que a cada dia se encontra algo diferente.
DL: - Pra mim, é tudo igual.
RM: - De longe, é tudo igual.
DL: - Até eu?
RM: - Até você.
DL: - Você não.
RM: - Eu sei.
(silêncio)
Enquanto conversavam DL passou da cozinha para a sala com uma bandeja. Na bandeja, dois pratos bem servidos e decorados, para quem gosta de comer com os olhos, dois copos e uma jarra com um suco de fruta meio avermelhado. E botava tudo sobre a mesa. Ao terminar, virou-se para levar a bandeija até a cozinha, novamente.
RM gritou da sala para a cozinha.
RM: - De que é esse suco?
Sem resposta, decidiu esperar até que ele voltasse até a sala.
RM: - De que é esse suco?
DL: - Beterraba com laranja e cenoura.
RM: - Te amo, sabia?
DL: - Oi?
RM: - Você ouviu.
DL: - Só queria ouvir mais uma vez.
RM: - Te amo.
(silêncio)
DL: - Mas porque isso, agora?
RM: - Porque você fez suco de beterraba com laranja e cenoura.
DL: - A, é por isso?
(silêncio)
DL sentou-se à mesa também e os dois começaram a comer. Comiam em silêncio enquanto a última pergunta soava no ar, como algum assunto mal resolvido. Mas ambos estavam felizes e a comida parecia estar boa, pois ambos estavam se deliciando.
RM estava de pratos vazios, primeiro. Sempre fora mais rápido para comer, mas esperava DL terminar para se levantar.
RM: - Eu lavo a louça.
DL: - É o que você gosta de fazer, não é?
E então, se levantou antes que DL terminasse o que comia para lavar a louça e voltar a ler seu livro.
DL: - Quer comer?
RM: - O que tem para comer?
DL: - Preparei torta de legumes.
RM: - Claro!
DL também de cueca, só que toda preta. Tem os pés descalços e ao aparecer na porta do quarto, se apoia com o braço direito na parede e cruza uma perna na frente da outra, apoiando-a no chão apenas pelos dedos dos pés. E ali permanece por toda a conversa até virar de costas e seguir até a sala. RM o seguia, calado e olhando para seu livro azul.
A casa é bem simples. Chão de tacos brilhantes, paredes amareladas e com bastante luz. Na sala há uma mesa redonda de madeira com cinco cadeiras iguaizinhas, também de madeira e acolchoadas; um sofá de três lugares alaranjado com umas almofadas com estampas indianas jogadas por cima; um móvel cor tabaco onde está a televisão, o aparelho de DVD, o aparelho de som, algumas garrafas de bebidas e uns enfeitos num estilo Kitsch; além de prateleiras apoiadas numa parede verde com livros e CDs quase tomando conta de toda a parede, fazendo um efeito furta-cor.
DL: - Senta, que ponho a mesa pra gente.
RM: - Deixa eu te ajudar?
DL: - Não.
RM sentou-se à mesa e esperou olhando para a janela de alumínio de onde via-sedo alto um infinito mar de outros prédios e de onde já escrevera antes sobre a selva-de-pedras.
DL: - Você gosta dessa paisagem, não é?
RM: - É que a cada dia se encontra algo diferente.
DL: - Pra mim, é tudo igual.
RM: - De longe, é tudo igual.
DL: - Até eu?
RM: - Até você.
DL: - Você não.
RM: - Eu sei.
(silêncio)
Enquanto conversavam DL passou da cozinha para a sala com uma bandeja. Na bandeja, dois pratos bem servidos e decorados, para quem gosta de comer com os olhos, dois copos e uma jarra com um suco de fruta meio avermelhado. E botava tudo sobre a mesa. Ao terminar, virou-se para levar a bandeija até a cozinha, novamente.
RM gritou da sala para a cozinha.
RM: - De que é esse suco?
Sem resposta, decidiu esperar até que ele voltasse até a sala.
RM: - De que é esse suco?
DL: - Beterraba com laranja e cenoura.
RM: - Te amo, sabia?
DL: - Oi?
RM: - Você ouviu.
DL: - Só queria ouvir mais uma vez.
RM: - Te amo.
(silêncio)
DL: - Mas porque isso, agora?
RM: - Porque você fez suco de beterraba com laranja e cenoura.
DL: - A, é por isso?
(silêncio)
DL sentou-se à mesa também e os dois começaram a comer. Comiam em silêncio enquanto a última pergunta soava no ar, como algum assunto mal resolvido. Mas ambos estavam felizes e a comida parecia estar boa, pois ambos estavam se deliciando.
RM estava de pratos vazios, primeiro. Sempre fora mais rápido para comer, mas esperava DL terminar para se levantar.
RM: - Eu lavo a louça.
DL: - É o que você gosta de fazer, não é?
E então, se levantou antes que DL terminasse o que comia para lavar a louça e voltar a ler seu livro.
"cuidar do meu jardim..." isso me faz lembrar
ResponderExcluirdisso: "cuidar do seu jantar. do céu e do mar. de você e de mim"
apenas observando as flores =]
abraços