Quarto de DL no entardecer de uma segunda-feira do período de férias. O Sol está se pondo, já e a luz amarela invade o quarto pela janela iluminando a cama. DL e RM estão sentados, um na poltrona verde-menta que se encontra aos pés da cama, num canto onde bate pouca luz e, revelando até mesmo um pouco de sua personalidade, ele está na penumbra com um cigarro de tabaco na mão, queimando. O outro está sentado no chão, apoiando as costas na cama, aproveitando um pouco da luz que ali bate para revelar parte de seu rosto. O Sol está morno. Ambos um de frente ao outro.
DL: - Quanto tempo tem?
RM: - Não sei...
DL: - Nossa, deve ter muito tempo, mesmo...
RM: - Deve ter.
DL: - Mas quanto será, ao certo?
RM: - Não sei... Não lembro.
DL: - Você sempre alheio ao tempo, né?
RM: - E você sempre preso a ele.
DL: - Eu? Era você quem reclamava dos meus atrasos.
RM: - Não digo ESSE tempo... Digo ao tempo das coisas, não o tempo nas coisas.
DL: - É, agora já foi, né...
RM: - Viu?
(silêncio)
RM: Naquela época, você era a coisa, por isso o tempo que ficávamos juntos, o tempo que eu te esperava, o tempo como um todo contava. Agora você é um coisa que já foi. Não importa muito o quanto durou nem a quanto foi. Já foi e foi bom, ao menos pra mim.
(silêncio)
RM: - Pra você, não foi?
(grande silêncio)
DL: - Você sabe.
RM: - Você nunca disse...
DL: - E precisa dizer?
RM: - Ás vezes é bom ouvir.
DL: - Tem coisas que são desnecessárias de serem ditas.
RM: - E você acha desnecessário agradar alguém?
DL: - Às vezes Falar demais também machuca.
(silêncio)
RM: - Eu sei...
DL: - Qual dos dois?
RM: - Os dois.
(grande silêncio)
Um deles escorrega da poltrona como manteiga em frigideira morna e senta-se no chão.
DL: - Mas eu realmente queria saber...
RM: - Oque?
DL: - Quanto tempo tem...
RM: Foi no dia Vinte e Doi de Agosto de Dois mil e Nove, e como você sempre se atrasa, eram já oito e meia da noite. Agora, faça as contas...
DL: - Quanto tempo tem?
RM: - Não sei...
DL: - Nossa, deve ter muito tempo, mesmo...
RM: - Deve ter.
DL: - Mas quanto será, ao certo?
RM: - Não sei... Não lembro.
DL: - Você sempre alheio ao tempo, né?
RM: - E você sempre preso a ele.
DL: - Eu? Era você quem reclamava dos meus atrasos.
RM: - Não digo ESSE tempo... Digo ao tempo das coisas, não o tempo nas coisas.
DL: - É, agora já foi, né...
RM: - Viu?
(silêncio)
RM: Naquela época, você era a coisa, por isso o tempo que ficávamos juntos, o tempo que eu te esperava, o tempo como um todo contava. Agora você é um coisa que já foi. Não importa muito o quanto durou nem a quanto foi. Já foi e foi bom, ao menos pra mim.
(silêncio)
RM: - Pra você, não foi?
(grande silêncio)
DL: - Você sabe.
RM: - Você nunca disse...
DL: - E precisa dizer?
RM: - Ás vezes é bom ouvir.
DL: - Tem coisas que são desnecessárias de serem ditas.
RM: - E você acha desnecessário agradar alguém?
DL: - Às vezes Falar demais também machuca.
(silêncio)
RM: - Eu sei...
DL: - Qual dos dois?
RM: - Os dois.
(grande silêncio)
Um deles escorrega da poltrona como manteiga em frigideira morna e senta-se no chão.
DL: - Mas eu realmente queria saber...
RM: - Oque?
DL: - Quanto tempo tem...
RM: Foi no dia Vinte e Doi de Agosto de Dois mil e Nove, e como você sempre se atrasa, eram já oito e meia da noite. Agora, faça as contas...
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