Quando a vi pela primeira vez, chegou-me a doer o coração. Ela não era feia, mas também não era bela. Era algo comum, dessas mulheres de meia-idade que vemos por aí. Cabelos longos e alisados diariamente. Pintado de uma cor que frustrou e se tornou laranja, tudo para encobrir os grisalhos fios que começavam a aparecer pela raiz. E por muito tempo eu olhei aquela mulher ali sentada, no banco do ônibus a minha frente. Era ela o morno do mundo. Mas algo ainda me feria ao olhar para ela.
Algumas outras vezes cruzamos o caminho um do outro. Andava ela curvado, como quem carrega um peso imenso nas costas. Talvez carregasse toda uma vida morna como quem carrega seu próprio peso por dois, somente por não ter vivido o que deveria. Dentro do pacote etiquetado 'vida morna' o peso era da dúvida, da inexpressão e da submissão. Ela vivia para carregar aquele peso e ninguém mais poderia ajuda-la. Era ego per ego.
E eis que tudo se fez a partir disso: Hora do almoço. De tanto correr atrás, fiquei sozinho e para trás. Mas não me sentia mal. Tinha deveres a cumprir e aquele almoço seria uma das tarefas. Sentei-me com o prato na mão. Oxalá sabe o quanto derrotei-me ao olhar para frente e encontrar o olho daquela mulher, como alma penada com pena de viver. Foi naquele momento que eu reconheci nela o que me fazia tanto dor. Era aquele olhar sofrido. Enquanto tudo nela cheirava a meios-termos e tinha o gosto morno, o olhar dela era inquietante. Um olhar de quem viu toda a vida passar e agora sente o gosto de ser obrigado a ver mais. Era um olho triste de quem não quer mais ver.
O prato a minha frente é uma tarefa a cumprir. A iniciei. Com certa agilidade e rapidez, pois tinha pouco tempo a perder e o dia estava cheio. Foi quando parei para respirar e olhei para frente reparei aquela mulher olhando os movimentos que eu fazia, como se os estudando, como se recordando. Senti-me o filho que aquela mulher perdeu. Perdeu um filho e encontrou em meus gestos à mesa o filho morto e enterrado na memória. Senti no olhar daquela mulher o amor e a saudade que eu sentiria de minha mãe viva, agora. E naquele instante eu descobri o que me fazia tanta dor. Era o amor que eu senti por aquela mulher, que eu nem conhecia. Por alguns instantes eu amei aquela mulher.
Algumas outras vezes cruzamos o caminho um do outro. Andava ela curvado, como quem carrega um peso imenso nas costas. Talvez carregasse toda uma vida morna como quem carrega seu próprio peso por dois, somente por não ter vivido o que deveria. Dentro do pacote etiquetado 'vida morna' o peso era da dúvida, da inexpressão e da submissão. Ela vivia para carregar aquele peso e ninguém mais poderia ajuda-la. Era ego per ego.
E eis que tudo se fez a partir disso: Hora do almoço. De tanto correr atrás, fiquei sozinho e para trás. Mas não me sentia mal. Tinha deveres a cumprir e aquele almoço seria uma das tarefas. Sentei-me com o prato na mão. Oxalá sabe o quanto derrotei-me ao olhar para frente e encontrar o olho daquela mulher, como alma penada com pena de viver. Foi naquele momento que eu reconheci nela o que me fazia tanto dor. Era aquele olhar sofrido. Enquanto tudo nela cheirava a meios-termos e tinha o gosto morno, o olhar dela era inquietante. Um olhar de quem viu toda a vida passar e agora sente o gosto de ser obrigado a ver mais. Era um olho triste de quem não quer mais ver.
O prato a minha frente é uma tarefa a cumprir. A iniciei. Com certa agilidade e rapidez, pois tinha pouco tempo a perder e o dia estava cheio. Foi quando parei para respirar e olhei para frente reparei aquela mulher olhando os movimentos que eu fazia, como se os estudando, como se recordando. Senti-me o filho que aquela mulher perdeu. Perdeu um filho e encontrou em meus gestos à mesa o filho morto e enterrado na memória. Senti no olhar daquela mulher o amor e a saudade que eu sentiria de minha mãe viva, agora. E naquele instante eu descobri o que me fazia tanta dor. Era o amor que eu senti por aquela mulher, que eu nem conhecia. Por alguns instantes eu amei aquela mulher.
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