20091111

Entrevista 01

- O que você gostaria de cantar?
- Música.
- (Risos) Que tipo de música?
- Música. Música sem tipo. Música de todos os tipos. Música de cor e sem cor. Música de pressa e de prece. Música presa. Música que salta e assalta e solta. Eu quero cantar música!
- Mas você tem um ritmo que goste mais, não é?
- Tantos...
- Quais são, então?
- Eu amo o samba. Amo o ritmo quente e marcante. A batida sincopada. Eu amo o balanço, a ginga, eu amo! Por isso quero tanto o POP. Sem motivo, sem razão. Mash UP porque não é nacional. Dançar sem ritmo e ao som da música. Misturar tudo isso numa MPB com batidas de funk e sair um refrão de Mutantes. Isos tem um nome?
- Não sei!
- Isso nem existe. Porque a música não existe meu caro! Ela é uma mensagem sobrenatural de arranjos energéticos. Nada faz música. A música se faz por sí própria!
- Mas vivemos num mundo mercadista...
- PÓS-MODERNO! Eu quero cantar música pós-moderna. Misturar o inglês e francês num tchu-ba-ru-ba com junções e preposições em Lingua Portugues do Brasil. Eu quero ter catarse, você não vê?
- Você quer inventar um estilo novo?
- Não precisamos de estilos, de concepções e de conceitos. Precisamos viver, somente viver, fazer, pensar. Precisamos somente ser instintios sem deixar de sermos racionais. Temos de ser impossíveis e cada vez mais complexos. E achar que é fácil ser assim.
- Você tem certeza de que quer cantar?
- Não. Eu não tenho certeza de nada. Por que?
- Vá procurar um analista, organize suas ideias e escreva um livro. Você pode escrever um livro. Será melhor, não acha?
- Isso é um não?
- Sim!
- Um dia você vai ver! E se não ver, não importa... Mas eu vou fazer música! Músicas que cantem livros musicados e publicados à mão!
- Boa sorte!

Ao sair da sala aquele candidato, o empresário pensa consigo mesmo: "Cada louco que me aparece..."

Meses depois, o candidato fez música e música da boa.

4 Flores:

  1. "Eu quero ter uma catarse". Adorei.
    Muito bom, como sempre, seus textos são permeados com um tom revolucionário, de quem não só busca entender o mundo, como transformá-lo.

    Perdoe-me passar pouco aqui, é que o vestibular me exaure.
    Beijos, querido =)

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  2. E quem disse que devemos seguir o sistema que impõem até na arte, que é um meio tão livre de expressão.

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