Ela estava parada no meio da Praça Tiradentes. Dentro dos gradeados de separam o nada de coisa nenhuma. Olhava a uma das quatro estátuas que ali gracejavam o ambiente. E ela olhava com fúria. A estátua da justiça. Olhava a estátua diretamente e com sua visão periférica ela via carros passando. Ela via pessoas correndo para pegar o ônibus lotado, atrasado. Ela via pessoas paradas no botequim da esquina, bebendo cerveja e conversado. Ela via as luzes se ascendendo. Ela via os mendigos jogados no chão, dormindo e bêbados. Ela via tudo aquilo e admirava.
Não era a desigualdade que ali se encontrava que a deixava tão inquieta. E sim toda a diversidade que ali se encontrava. O que ela não entendia era o que tanto as pessoas pedem por uma justiça, quiçá divina, e não aproveitam a bela paisagem cheia de altos e baixos que povoa o quadro emoldurado de cada vida. E na vida própria, ela via seus altos e baixos e se via em graça.
Ela entendia, naquele momento catártico, o quanto era necessário o equilíbrio. Se a desigualdade existe é justamente para que uns lutem para que ela desapareça. Ela serve de objetivo de vida para certas pessoas. Invertidamente e em controverso a maioria, a grande maioria vive pela desigualdade. Uns vivem dela, pois estão no topo de uma pirâmide imaginária visando todo o futum que sobe da utopia de pobres otários que gritam de baixo, fazendo um pequeno murmúrio que nem chega a atordoar o sono causado por taças de vinho e horas a fio de leitura irresponsável. Porém, pouco sabem que o perfume que exalam vem do estrume, do adubo e da caganeira popular. Nem percebem que seu sono é velado, é leve, pois sempre estão devendo. Devem piedade, devem pela desigualdade que causam e devem por existirem. Todos devemos algo. O respirar é uma dívida interna, nós conosco, de viver a cada inspirar e morrer a cada expirar. Outros vivem da desigualdade justamente por estarem por baixo desta tal pirâmide que tanto pregam na nossa cabeça e tentar fazer-se subir. O objetivo de toda dessa gente é subir. Galgar o lugar daqueles que moram, julgam, acima dos céus. O mundo dos ricos é um traço tênue entre sonhos e ódios. E se sujam da lama que pinga do alto. E chingam as roupas que vestem. E maldizem a comida que comem. Mal vêm que são eles o topo do topo da pirâmide. Pois se estes pararem parará o todo. E uns ainda lutam para que a desigualdade acabe. Pura ironia. E juntam-se num terceiro setor libertador-hipócrita-parasita. Um bando de organizações não organizacionais que quer se sentar no banco do deputado e beber da fonte do grande empresário e apertar a mão do sujo e pestilento, desprotegido povo. E fica só sendo iludido, jogado como bolinha de ping-pong, de um lado para o outro. Fica somente flutuando sem um chão fixo, sem uma fonte firme, sem uma raiz fincada. E quer ser pássaro. Mas uma asa pesa mais que a outra. Uma quer arrancar a outra. Uma quer voar mais que a outra. E sobe muito alto, pois é de lá que o tombo tem real grandeza. E tudo se torna nada neste mundo tão irreal. Um mundo tão injusto. Um mundo tão justo por sua injustiça. Um mundo tão equilibrado.
Na cabeça dela tudo isso passou num breve momento que passou como a brisa do vento entre um grito e um brinde. Ela reprimiu tudo aquilo e seguiu sua vida. Ela não quis abalar o equilíbrio, ela era na verdade um elo intrigante que vive somente. Que muitos pensam que não pensam, mas que todos usam como massa de macarrão, massa de construção, massa de manobra. Um tufão de gente que abafa o grito para manter a beleza da paisagem. Uma mulher que sabe onde está fincado o seu nó.
Não era a desigualdade que ali se encontrava que a deixava tão inquieta. E sim toda a diversidade que ali se encontrava. O que ela não entendia era o que tanto as pessoas pedem por uma justiça, quiçá divina, e não aproveitam a bela paisagem cheia de altos e baixos que povoa o quadro emoldurado de cada vida. E na vida própria, ela via seus altos e baixos e se via em graça.
Ela entendia, naquele momento catártico, o quanto era necessário o equilíbrio. Se a desigualdade existe é justamente para que uns lutem para que ela desapareça. Ela serve de objetivo de vida para certas pessoas. Invertidamente e em controverso a maioria, a grande maioria vive pela desigualdade. Uns vivem dela, pois estão no topo de uma pirâmide imaginária visando todo o futum que sobe da utopia de pobres otários que gritam de baixo, fazendo um pequeno murmúrio que nem chega a atordoar o sono causado por taças de vinho e horas a fio de leitura irresponsável. Porém, pouco sabem que o perfume que exalam vem do estrume, do adubo e da caganeira popular. Nem percebem que seu sono é velado, é leve, pois sempre estão devendo. Devem piedade, devem pela desigualdade que causam e devem por existirem. Todos devemos algo. O respirar é uma dívida interna, nós conosco, de viver a cada inspirar e morrer a cada expirar. Outros vivem da desigualdade justamente por estarem por baixo desta tal pirâmide que tanto pregam na nossa cabeça e tentar fazer-se subir. O objetivo de toda dessa gente é subir. Galgar o lugar daqueles que moram, julgam, acima dos céus. O mundo dos ricos é um traço tênue entre sonhos e ódios. E se sujam da lama que pinga do alto. E chingam as roupas que vestem. E maldizem a comida que comem. Mal vêm que são eles o topo do topo da pirâmide. Pois se estes pararem parará o todo. E uns ainda lutam para que a desigualdade acabe. Pura ironia. E juntam-se num terceiro setor libertador-hipócrita-parasita. Um bando de organizações não organizacionais que quer se sentar no banco do deputado e beber da fonte do grande empresário e apertar a mão do sujo e pestilento, desprotegido povo. E fica só sendo iludido, jogado como bolinha de ping-pong, de um lado para o outro. Fica somente flutuando sem um chão fixo, sem uma fonte firme, sem uma raiz fincada. E quer ser pássaro. Mas uma asa pesa mais que a outra. Uma quer arrancar a outra. Uma quer voar mais que a outra. E sobe muito alto, pois é de lá que o tombo tem real grandeza. E tudo se torna nada neste mundo tão irreal. Um mundo tão injusto. Um mundo tão justo por sua injustiça. Um mundo tão equilibrado.
Na cabeça dela tudo isso passou num breve momento que passou como a brisa do vento entre um grito e um brinde. Ela reprimiu tudo aquilo e seguiu sua vida. Ela não quis abalar o equilíbrio, ela era na verdade um elo intrigante que vive somente. Que muitos pensam que não pensam, mas que todos usam como massa de macarrão, massa de construção, massa de manobra. Um tufão de gente que abafa o grito para manter a beleza da paisagem. Uma mulher que sabe onde está fincado o seu nó.
=)
ResponderExcluirO Sujeito do texto é a estátua, a mulher ou indeterminado?!
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