20091024

Rascunho em SMS Pela Espera

Cai a tarde no centro da cidade. É horário de verão e já passam das sete. Na verdade a energia ainda me sopra às seis da tarde, ou às seis da noite, enfim, esse meio termo, essa linha de ligação entre o dia e noite. Domingo, o céu não está cinza, mas também não está azul. E com o adormecer lento do sol a cidade fica uma cor entre o cinza-azul-negro-noite, sabe? A espera já me fez acender um ou dois cigarros, não me lembro. As luzes brancas e amarelas se acendem, colorindo ainda mais a cidade. Essas, não sei, se trazem conforto ou segurança - segurança pode trazer conforto, mas nem sempre conforto traz segurança -, só sei do extra colorido delas. E eu sentado, num degrau de atraso, em frente a um belo edifício cultural de cara para a Igreja da Candelaria. Suas cúpulas também se acendem num jogo de sombras da seta de localização e da cruz, cravadas bem em seu topo. E demoro tanto a escrever este rascunho epifanico numa sms de celular que no céu já paira a cor azul-escuro-noite. E as nuvens, antes cinzas, revelam um quase-negro-secreto. Será que hoje tem lua? Seria incrível este pseudo-primeiro encontro banhado de arte, noite e lua, com certa cobertura de atraso. Ele chegou.

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