Eu saí hoje de tarde. Logo após o almoço e o cafezinho, vem cigarro. Eu saí de bermudas para o sol. Preferi ir a pé, só pra poder cansar. Do outro lado da calçada, veio um assobio e um aceno familiar e sorridente. Por que negar um olá do desconhecido-possível-conhecido? E aquele sorriso... Segui em frente. Meu destino estava longe, mas nem tão longe o quanto eu imaginei. E foi assim até eu atravessar a esquina. Eu vi no céu o desenho de cachorros escuros e coelhos acinzentados. E então choveu.
Eu estava de bermudas pra chuva, também. Água violenta, violentando meus cabelos com ventos tortos que me levavam pra lá. Quem me levava pra cá? Ai aquele vento, não tinha igual. Não tinha. E aquela água que vinha do alto, gelada. Aquela gota forte, rude. Aquela água sem medo de se jogar e de se espalhar pelo chão, pelo meu cabelo, meu rosto e corpo. E me deixou quase nu, de blusa branca na rua. Não tem problema, eu estava ali pra chuva e meu destino, eu esqueci. Eu já tinha chegado. Eu já tinha saído. Eu ainda estava lá. Se eu procurar, ainda estarei por lá.
Andando, cabeça erguida. Peito aberto à tempestade de vento. Rodando eu e a mulher que corria de salto e jornal na cabeça. Seu vestido era parte já da chuva e eu nem sei mais o que ela protegia. Mas ela estava se protegendo. Talvez até dela mesmo.
Meus pés encharcados daquela água. Meu tênis fazia bolhas ao passo largo. E na poça que antes eu pularia, eu pisei foi nela, espalhando ela por todo canto. Formando mini-pequenas-poçinhas dessas gotas que vazam quando o céu transborda e cai no chão. Na beira da calçada, o mar e rio se encontram. O espelho enorme, a céu aberto, refletia o céu aberto em cima. O céu aberto estava no chão. E o molequinho que passou, espalhando o céu, o rio e o mar. O molequinho quebrou o espelho que eu via o céu e ali ele fez onda. Tirou onda de mim.
E então ficou tarde e eu peguei o caminho de volta. Não porque era tarde, nem porque era a volta. Só porque aquele era o caminho que eu escolhi pegar. E depois da chegada, veio o despertar. Ainda tinha uma ponta no cinzeiro para queimar.
Eu estava de bermudas pra chuva, também. Água violenta, violentando meus cabelos com ventos tortos que me levavam pra lá. Quem me levava pra cá? Ai aquele vento, não tinha igual. Não tinha. E aquela água que vinha do alto, gelada. Aquela gota forte, rude. Aquela água sem medo de se jogar e de se espalhar pelo chão, pelo meu cabelo, meu rosto e corpo. E me deixou quase nu, de blusa branca na rua. Não tem problema, eu estava ali pra chuva e meu destino, eu esqueci. Eu já tinha chegado. Eu já tinha saído. Eu ainda estava lá. Se eu procurar, ainda estarei por lá.
Andando, cabeça erguida. Peito aberto à tempestade de vento. Rodando eu e a mulher que corria de salto e jornal na cabeça. Seu vestido era parte já da chuva e eu nem sei mais o que ela protegia. Mas ela estava se protegendo. Talvez até dela mesmo.
Meus pés encharcados daquela água. Meu tênis fazia bolhas ao passo largo. E na poça que antes eu pularia, eu pisei foi nela, espalhando ela por todo canto. Formando mini-pequenas-poçinhas dessas gotas que vazam quando o céu transborda e cai no chão. Na beira da calçada, o mar e rio se encontram. O espelho enorme, a céu aberto, refletia o céu aberto em cima. O céu aberto estava no chão. E o molequinho que passou, espalhando o céu, o rio e o mar. O molequinho quebrou o espelho que eu via o céu e ali ele fez onda. Tirou onda de mim.
E então ficou tarde e eu peguei o caminho de volta. Não porque era tarde, nem porque era a volta. Só porque aquele era o caminho que eu escolhi pegar. E depois da chegada, veio o despertar. Ainda tinha uma ponta no cinzeiro para queimar.
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