20090927

Salve Ibejada!

Rememorei. Revivi por instantes momentos passados. Não nostalgia. Talvez uma saudade gostosa, da qual não se quer a volta e sim a eterna saudade. Surgiu uma vontade de voltar e refazer cada instante, para que me torne o mesmo homem que sou hoje. Tenho mil perguntas que me faria, mas que talvez não tivesse nunca a coragem de me fazer. Uma criança atravessou a rua e me pediu um saco de doces.
Dentro do olhar pedinte de cada ser infantil encontrava uma animação, talvez até um disputa, que os faziam correr atrás de cada cheiro de açúcar que surgia. Embora estivessem com a mochila cheia de saquinhos com pirulitos, balas e marias-mole. Quanto seria o suficiente para eles? E não é tão difícil de responder essa pergunta, embora muito o pareça. Quanto é suficiente para a gente? Respondido.
Quando acordei sentindo o cheiro de doce de abóbora, logo me lembrei que hoje era uma data para se ter muita alegria. Minha casa invadida por meu irmão de 2 aninhos (o rei do momento), o outro de 11 e mais um amigo deste com 11 anos, também. E todos ensacando doces, pareciam felizes em executar uma tarefa repetitiva e aparente monótona e chata. Mas não, o mesmo brilho que encontrei nos olhos do menino que atravessava a rua, encontrava nos olhos de cada um naquele sistema de produção de alegria alheia.
Eu com 6 anos acordando o mais cedo possível para que pudesse estar pronto antes de todos. Tênis confortáveis, pois eramos mais velozes que os rapazes e moças que correm durante uma maratona; roupa neutra, para que não fosse reconhecido facilmente; a maior mochila da casa nas costas e até algumas sacolas dentro dela. Primeiro nas casas conhecidas, logo após nas casas de bilhete e então nas casas de sorte. Andávamos pelas ruas, os carros é que deveriam se preocupar conosco. Quando qualquer suspeita soava, parecia obrigação a aposta de corrida. Todo doce do mundo acabaria em um só dia.
Em casa, eram potes e potes. As maiores panelas eram preenchidas de 'depois do almoço' e 'cuidado com os dentes'. E se fossemos seguir a linha os mandamentos do dentista (escovar os dentes depois da balinha, sempre) não haveria creme dental suficiente e o dia poderia se dividir em comer e escovar. No terceiro dia, era o mesmo drama dos choros e mãos apertando o abdôme. Era tudo uma sinfonia de flatulências, dirréias, discargas e 'eu te avisei's. Tudo fazia parte da magia.
Agora, aqui do outro lado a cena ainda há muita mágica a se fazer. mas ainda eu me encontro no meio do muro. Mas os brilhos nos olhos continuam os mesmos.

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