"Para você, o que é gostar de alguém?" Deitados sobre colchões estendidos no chão, mas umas três pessoas naquele cômodo escuro - que só era chamado de quarto pois aquelas pessoas dormiam ali. "Ai, pergunta complicada." Ambos conversavam em tom baixo para não acordar os outros. "Porque? Você está gostando de alguém?" Na verdade, ele gostava sim. "Não, é só para confirmar algumas certezas pessoais." Mas nunca diria que gostava justamente daquele com quem dialogava. "Não sei, acho que é quando você vê alguém e algo te chama atenção naquela pessoa e você passa a reparar nela..." Tantos anos de amizade haveriam de retomar sentimentos reprimidos desde o início. "E o que seria este algo?"
Quando se conheceram havia algo muito claro: o mais experiente interessado na carne nova. Só o que não estava tão esclarecido é se havia reciprocidade. "Ah, é quando você pensa muito nas qualidades e coisas que você pode se identificar na pessoa." Me recordo que a carne nova não demonstrava tanta empolgação de estar naquele canil, mas me recordo que este rapaz até hoje tem dificuldades em demonstrar seus pensamentos e sentimentos. Sempre mais reservado, o garoto novo com piercings chamava a atenção daquele que se fazia de garanhão e também de outros. Agora, pensando, chego a imaginar a empolgação do garoto novo em se sentir tão desejado. Sentimento fétido de gula, o desses cães. Uma beleza exótica, boa de se admirar, uma introspecção da personalidade e uma atitude na aparência. Fora que quando conversavam, os assuntos costumavam fluir. "Mas isso não seria amizade?"
Ao passar de algum tempo eles se aproximaram, como deveria de ser. O sentimento de amizade se aflorou abafando a atração sexual - que passou a ser encarada não mais que um pensamento retrógrado, uma poeira. Porém a ocasionalidade fez com que os dois se afastassem por um tempo. "Não, na amizade você consegue perceber os defeitos da pessoa." Algum tempo depois, a criança que todos conhecem como destino fez com que os dois se aproximassem novamente. Uma aproximação com gosto de muitas dúvidas. E como guardada num baú, a amizade voltou entre os dois, quase intocada. Trazendo consigo uma poeira muito forte que aqui chamo de atração sexual. O garotão deu uma grande oportunidade ao pequeno. E os dois a aproveitaram muito bem, juntos. Pareciam que, a partir de então, poderiam crescer juntos como amigos de infância. Mas no meio do caminho, o grandão tropeçou e o pequeno parece que não viu - e mesmo se visse, não teria força suficiente para levantar o grandão - e o deixou para trás. O pequeno cresceu e foi, aos poucos tomando o lugar do grandão. Tomou as amizades, tomou o emprego e até mesmo a ambição. Eis que vos apresento aqui o rapaz com sentimentos e rancores reprimidos caído no meio da estrada, olhando seu aprendiz seguir seu caminho acompanhado dos que antes o acompanhavam. "Mas quando você conhece a pessoa, digo, quando você sabe dos defeitos dela e ainda assim gosta, ainda assim se dispõe a conviver com isso?"
Vendo aquele rapaz prosseguir e admirando seu caminhar com desequilíbrios e passos certeiros. Foi assim que estava quando percebeu que realmente gostava daquele pequeno rapaz que agora já estava do seu tamanho. Um cresceu e outro parou no tempo. E quando percebeu a queda de seu mestre, o rapaz já tinha força suficiente e estendeu as mãos para ele. Agradecimentos como borracha num livro escrito à lápis. E agora, novamente parece que crescem juntos. "Isso é quando você realmente descobre que ama a pessoa."
Mas parece que os papéis mudaram um pouco. Quem anda mais reservado é justamente o que fazia-se de garanhão. "Então, esse tipo de amor é simplesmente amizade com tração sexual, certo?" Os dois se admiravam muito e adquiriam tamanha intimidade que nunca imaginaram. Tudo andava bem. "Pode ser..." Menos o amor, o desejo, o gostar reprimido de um deles. "Então gostar de alguém é sentir uma grande amizade com uma grande atração sexual." E era exatamente isso que um sentia pelo outro, sem uma recíproca verdadeira e com muitas dúvidas espelhadas numa mesa coberta.
"Vamos dormir, daqui a pouco amanhece." Viraram-se um para cada lado, deitados na mesma cama. Era importante para ele saber o que o outro pensava sobre seus próprios sentimentos. A amizade continuará e a atração sexual sempre estará lá, reprimida.
Quando se conheceram havia algo muito claro: o mais experiente interessado na carne nova. Só o que não estava tão esclarecido é se havia reciprocidade. "Ah, é quando você pensa muito nas qualidades e coisas que você pode se identificar na pessoa." Me recordo que a carne nova não demonstrava tanta empolgação de estar naquele canil, mas me recordo que este rapaz até hoje tem dificuldades em demonstrar seus pensamentos e sentimentos. Sempre mais reservado, o garoto novo com piercings chamava a atenção daquele que se fazia de garanhão e também de outros. Agora, pensando, chego a imaginar a empolgação do garoto novo em se sentir tão desejado. Sentimento fétido de gula, o desses cães. Uma beleza exótica, boa de se admirar, uma introspecção da personalidade e uma atitude na aparência. Fora que quando conversavam, os assuntos costumavam fluir. "Mas isso não seria amizade?"
Ao passar de algum tempo eles se aproximaram, como deveria de ser. O sentimento de amizade se aflorou abafando a atração sexual - que passou a ser encarada não mais que um pensamento retrógrado, uma poeira. Porém a ocasionalidade fez com que os dois se afastassem por um tempo. "Não, na amizade você consegue perceber os defeitos da pessoa." Algum tempo depois, a criança que todos conhecem como destino fez com que os dois se aproximassem novamente. Uma aproximação com gosto de muitas dúvidas. E como guardada num baú, a amizade voltou entre os dois, quase intocada. Trazendo consigo uma poeira muito forte que aqui chamo de atração sexual. O garotão deu uma grande oportunidade ao pequeno. E os dois a aproveitaram muito bem, juntos. Pareciam que, a partir de então, poderiam crescer juntos como amigos de infância. Mas no meio do caminho, o grandão tropeçou e o pequeno parece que não viu - e mesmo se visse, não teria força suficiente para levantar o grandão - e o deixou para trás. O pequeno cresceu e foi, aos poucos tomando o lugar do grandão. Tomou as amizades, tomou o emprego e até mesmo a ambição. Eis que vos apresento aqui o rapaz com sentimentos e rancores reprimidos caído no meio da estrada, olhando seu aprendiz seguir seu caminho acompanhado dos que antes o acompanhavam. "Mas quando você conhece a pessoa, digo, quando você sabe dos defeitos dela e ainda assim gosta, ainda assim se dispõe a conviver com isso?"
Vendo aquele rapaz prosseguir e admirando seu caminhar com desequilíbrios e passos certeiros. Foi assim que estava quando percebeu que realmente gostava daquele pequeno rapaz que agora já estava do seu tamanho. Um cresceu e outro parou no tempo. E quando percebeu a queda de seu mestre, o rapaz já tinha força suficiente e estendeu as mãos para ele. Agradecimentos como borracha num livro escrito à lápis. E agora, novamente parece que crescem juntos. "Isso é quando você realmente descobre que ama a pessoa."
Mas parece que os papéis mudaram um pouco. Quem anda mais reservado é justamente o que fazia-se de garanhão. "Então, esse tipo de amor é simplesmente amizade com tração sexual, certo?" Os dois se admiravam muito e adquiriam tamanha intimidade que nunca imaginaram. Tudo andava bem. "Pode ser..." Menos o amor, o desejo, o gostar reprimido de um deles. "Então gostar de alguém é sentir uma grande amizade com uma grande atração sexual." E era exatamente isso que um sentia pelo outro, sem uma recíproca verdadeira e com muitas dúvidas espelhadas numa mesa coberta.
"Vamos dormir, daqui a pouco amanhece." Viraram-se um para cada lado, deitados na mesma cama. Era importante para ele saber o que o outro pensava sobre seus próprios sentimentos. A amizade continuará e a atração sexual sempre estará lá, reprimida.
Ah... eu sempre soube, eu sempre disse...
ResponderExcluir