Um homem andava pelas ruas do centro da cidade. Vestia-se de calça, blusa e chinelos. Nada no bolso, nem na cabeça. Seus olhos flaneavam entre os grandes edifícios e os estilos ecléticos. Seus pés andavam retos, suas mãos estavam soltas e seu rosto se movimentava, ora para direita, ora para esquerda, ora para norte.
Parou em frente a uma banca de jornal que vende livros, no meio do Largo da Carioca. Pegou um livro que julgou interessante pela capa e pelo título. Abriu no prólogo e descobriu que aquele era uma livro que valia à pena. Sem ligar em pagar ou pedir licença, levou consigo o livro sem ninguém o perturbar.
Parou em frente a uma banca de jornal que vende livros, no meio do Largo da Carioca. Pegou um livro que julgou interessante pela capa e pelo título. Abriu no prólogo e descobriu que aquele era uma livro que valia à pena. Sem ligar em pagar ou pedir licença, levou consigo o livro sem ninguém o perturbar.
Entrou na rua ao lado do Teatro Municipal, ainda folheando o livro. Nem reparou os intermináveis detalhes que cobrem aquela bela construção escondida por blocos de concreto constituintes da selva de pedra. Sentou-se num banquinho da Cinelândia, em frente ao Cine Odeon; uns filmes interessantes em cartaz, decidiu assistir à próxima sessão. Enquanto isso lia o livro que estava na mão.
Quando deu o horário, ele deixou o livro no banco em que estava sentado e entrou na sala de cinema. Não pagou, nem foi incomodado. Sua mente não atraia esse tipo de coisa. Dentro da sala de cinema, muitos comentavam a ansiedade por ver aquele filme de um diretor famoso, com uma sinopse incrível. O filme tinha tudo para ser bom, assim ele esperava. Já nos dez primeiros minutos de filme, ele estava enjoado. Parecia um daqueles filmes de sessão da tarde, sabe? Se bem que dia desses vi um filme bem interessante na Sessão da Tarde. Mas esperou dar mais dez minutos. Não aguentava mais, se levantou e saiu. Entrou na rua ao lado do Cine Odeon. Passou em frente ao Cine Palácio, passava o mesmo filme que passava no Cine Odeon, e ali mais algumas pessoas comentando sobre o mesmo filme. -A voz do povo é a voz de Deus; será que ele se arrepende? - Ele pensou consigo enquanto caminhava à Lapa.
Ao chegar por lá, viu uma infinidade de bares, mas se encantou por um galpão com um grupo tocando música afro. Ali parou e sentou-se no chão da porta. Um outro rapaz se aproximou, se agaixou ao lado dele e lhe ofereceu um gole da latina de cerveja que carregava. Os dois parados olhando ao ensaio de portas abertas, ele não pensava em nada, o outro pensava em como a vida era estranha. O outro perguntou-lhe se ele não queria ir para um bar, tomar umas cervejas; ele aceitou. Então, entraram pela Riachuelo e pararam num bar com sinuca que havia ali. O outro pediu uma cerveja e uma ficha de sinuca.
- De onde você é?
- Sou daqui. E você?
- Moro na Glória, sempre ando por aqui.
- Eu quase nunca ando.
- O que espera de hoje?
- O fim. E você?
- A gente pode fazer esse fim junto, não?
- Pode ser.
O outro se encheu de esperanças. Mas ele não pensou em maldade alguma. O outro pediu mais uma cerveja, enquanto ele encaçapava uma bola. E aquele jogo durou umas três cervejas. Ele estranhou ser tão bom num jogo que nunca havia jogado. O outro se sentiu envergonhado de estar perdendo tão feiamanete. Quando terminou a terceira cerveja, terminou-se também o jogo. O outro perguntou se ele não queria mais uma rodada, ele disse que não e que estava indo embora. Esticou a mão para o outro, que ficou desorientado com a situação. Apertaram-se a mão e ele foi embora. Novamente, não precisou pagar quase nada, somente um pouco de atenção para um cara que procurava sexo.
Entrou numa rua que saia na Mem de Sá. Andou pela Mem de Sá até a Lapa, novamente. Viu por cima dos arcos um bondinho passando, e no chão a sombra que lançava a imagem. Continuou andando, atravessou a grama e foi em direção ao parque do Passeio Público. Pelas grades viu aquele espaço verde que muitos nem reparam quando passam por ali. Chegou a ver alguns gatos que ali passavam os dias e as noites. Chegou a ver alguns mendigos que ali passavam os dias e as noites. Chegou a ver alguns transeuntes que ali passavam. E continuou andando até a Marina da Glória.
Sentou-se ali, num canteiro, de frente para o Mar e esperou o sol se pôr.

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