20090611

As de Copas

Depois de um longo dia de trabalho, a noite chega. Descansar? Quimera... Que merda! Ele tem que trabalhar mais. E esses pensamentos só estiveram na cabeça dele somente por alguns minutos de desestimulo. Com o destino, ainda, cartas na manga para aquelas longas horas que tinham de passar. E mesmo sem estes truques já manjados, a noite não seria tão ociosa. Trabalhar com o que gosta e ganhar por aquilo, era ele realizado. Qualquer momento de fraqueza, compensava-se.
Assim, neste humor meia boca bipolar, ele pôs a mão na massa. Nada de desespero, a noite é longa e uma criança, naquela noite em específico, não só a noite. Falando ali da frente, viu a aba do As de Copas guardado nas mangas do destino. Na verdade, ele estava tão concentrado em sua fala para que pudesse ser esclarecedora e não monótona a todos ali presentes. Ficar doze horas em uma sala escura já seria um grande estímulo ao sono. Continuou falando e quando terminou seu texto, deixou o posto. Pouco depois já estava aproveitando o melhor da noite de trabalho aprazível. Em seu segundo ato, tudo já estava mais tranquilo. Sua mente já poderia vaguear - e ele não teria tanto controle sobre ela - e sua fala continuaria concisa e irreverente. Quando enfim, reparou a jogada suja das mãos dissimuladas do destino, entrou na dança. O As de Copas estava na mesa e o que ele mais queria era perder aquele jogo.
Em pouco tempo, seu trabalho fora ficando fácil, nunca em segundo plano. Na verdade, ele não pretendia adquirir uma noite tão divertida quanto, mas era exatamente essa a jogada do destino: Dar-lhe uma noite aprazível. Seu trabalho lhe exigia estar dentro da sala escuro, agora nada propícia ao sono.
Ali, em uma jogada inconsciente dele, o As de Copas lhe parou nas mãos. Em uma virar de cabeças, lábios se encontraram, braços se cruzaram, línguas dançaram e olhares se serraram. Agora o jogo era outro. Um jogo que não se previa ser jogado, mas que tivera um resultado incrível: Ambos tinham as mãos cheias.
E nesse jogo de trabalho e diversão a noite se carrilhou, tanto que por alguns instante ele trabalhava sem perceber do trabalho. Sua mente estava na poltrona, ali também um certo punhado de sua dignidade. Dignos eram os suspiros da sala escura.
No fim da noite, também o fim do jogo, um para um lado e um para outro, como numa mesa de carteado onde havia um terceiro jogador sutil. No bolso, como prêmio para ele tinha uma incerteza de uma segunda rodada daquela mesma mesa; uma completude por estar tão realizado por uma noite; umas gotas de sono e uma enorme vontade de finalmente chegar em casa. Nas mãos, o cheiro das partes do corpo daquela carta. Qualquer outro o acharia desagradável, mas aquele cheiro ele procura sentir até hoje nos dedos.

2 Flores:

  1. Diga-o para se cuidar, pois talvez não seja o As de Copas que esteja nas mãos dele, mas o contrário.

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  2. Fabuloso, eu realmente adorei.
    E concordo com o Vinícius, pois quando copas entra em jogo todo mundo sai perdendo, mas só perdem porque querem perder.

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