20090529

Retrato de Rosa-Branca

Olhar em foco na rosa-branca, desfocada do caule e da planta; o que somente me prende é a rosa-branca. Em cada canto, seu Espírito Santo. No meu canto, por trás da objetiva, o conceito de captar o seu belo. Seu belo da minha rosa-branca. Merecia um prêmio esta sua imagem - pétalas macias com poros abertos, respirantes, provocantes; seu botão sorridente aberto e se mostrando; aquelas gotas do orvalho brilhantes em lágrimas (da alegria) parecendo me falar, ó flor, das coisas que mais precisas. Quero guarda-la, rosa-branca, para cá dentro de mim. Por ti me enamorar, em ti me encontrar e contigo... esqueci-me que não és gente minha rosa-branca. Mas se fosse, daria-se a mim?
Aperto. Acabou. Não quero que acabe. O vento batendo na pétala tirando meu foco, dando vida própria ao que quero dar vida vida minha. Rosa-Branca vai, minha lente se perde, rosa-branca volta, minha lente emerge em foco, brilho, cor e contraste - fico feliz contínuo, pois quando vais, sei da tua volta e quando voltas, gosto da tua presença, rosa-branca (cismo em cismar que és gente). Mas acabou, não tens mais movimento parada na lente, tão bela quanto, mas nem tão encantadora qual.
Mais uma e uma mais, sempre tão quanto, nunca tão qual. Sentei-me, não sei se a te enamorar ou a encontrar a forma de te ter eterno. Aquela lente objetiva que tanto me admirava, agora a mim não serve, não sei, não presta. Aquela imagem catatônica me enoja. Mas a rosa-branca me excita. Quero leva-la a mim.
Num subto sentido repentino me pego a arrancar rosa-branca de seu viveiro. Parada em minha mão te vejo prosa, ventada e me reflito: agora a rosa-branca está morta. No chão apodrecerá, virará lixo, transcenderá adubo. Meu amor por rosa-branca, também ficará na terra, excremento que alimenta. Comigo tenho a foto, igualmente morta, mas eternizada... Sem querer apertei o "delete", agora paira no meu imaginário, na mente, pois ela nunca fora o que eu quis, tão bela, viva e prosa. Morta está minha rosa-branca, pois algo tão sublime, não teria como se realizar em verdade. Melhor morta aos serviços da natureza, que viva aos serviços do encanto de um qualquer, que sou.

0 Flores:

Postar um comentário

Jogue sua semente.