20090520

Babilon

O meu amor atravessou o mar. Encontrou a costa do teu corpo - desenhada, parece que à mão - e se perdeu no seu país. O meu amor abandonou o lar, me deixou aqui sozinho, sendo somente razão. O meu corpo virou máquina, amor. Máquina sem amor e aberto ao amor do próximo, sem poder corresponder. O meu corpo virou máquina de, no máximo, amizade, de sexo e de cotidiano. Mas amor, ele não tem mais. O meu amor encontrou o luar, ficou encantado da luz no teu olhar. E o meu olho ficou perdido num céu azul bem claro, onde não há mais o que se revelar. O meu amor é viciado em desbravar. O meu corpo, tudo já conhece. Virou dia-a-dia, minha razão. O meu amor não, ele está a se aventurar, ele não quer parar, enquanto estiver no teu país. O meu amor contigo há de ficar. A minha razão não está preparada ainda para recebe-lo de volta. Eu que fui um dia dois e meio - o meu amor é mais que um - fiquei parado num meio que me é razão. Esperando o cotidiano desta máquina enferrujar, e à morte me levar. Ou então (livra-me senhor desta angústia) de o meu amor voltar contigo. E se contigo não voltar ou se atrever de voltar sozinho, volta não, amor, fica aí na modinha da orla, por aí nesse país que vou chamar de Babilon.

2 Flores:

  1. To adorando essa historinha de ler trechos poéticos de amigos pelo blog.
    Pensei até em fazer uma coletânea com os trechos, contos e agregados dos amigos e fazer tipo um livro. To dizendo escritinhos ordinários meus, contos seus, do Chico, do Vini ...porra, venho pensando nisso a muito tempo.
    Quer amadurecer a idéia comigo?

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  2. duro que, além de tudo, o amor costuma ser clandestino também.

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