O meu amor atravessou o mar. Encontrou a costa do teu corpo - desenhada, parece que à mão - e se perdeu no seu país. O meu amor abandonou o lar, me deixou aqui sozinho, sendo somente razão. O meu corpo virou máquina, amor. Máquina sem amor e aberto ao amor do próximo, sem poder corresponder. O meu corpo virou máquina de, no máximo, amizade, de sexo e de cotidiano. Mas amor, ele não tem mais. O meu amor encontrou o luar, ficou encantado da luz no teu olhar. E o meu olho ficou perdido num céu azul bem claro, onde não há mais o que se revelar. O meu amor é viciado em desbravar. O meu corpo, tudo já conhece. Virou dia-a-dia, minha razão. O meu amor não, ele está a se aventurar, ele não quer parar, enquanto estiver no teu país. O meu amor contigo há de ficar. A minha razão não está preparada ainda para recebe-lo de volta. Eu que fui um dia dois e meio - o meu amor é mais que um - fiquei parado num meio que me é razão. Esperando o cotidiano desta máquina enferrujar, e à morte me levar. Ou então (livra-me senhor desta angústia) de o meu amor voltar contigo. E se contigo não voltar ou se atrever de voltar sozinho, volta não, amor, fica aí na modinha da orla, por aí nesse país que vou chamar de Babilon.
To adorando essa historinha de ler trechos poéticos de amigos pelo blog.
ResponderExcluirPensei até em fazer uma coletânea com os trechos, contos e agregados dos amigos e fazer tipo um livro. To dizendo escritinhos ordinários meus, contos seus, do Chico, do Vini ...porra, venho pensando nisso a muito tempo.
Quer amadurecer a idéia comigo?
duro que, além de tudo, o amor costuma ser clandestino também.
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