20090428

Grande Hotel ou Boa Vista - 2ª Parte

Eles se lembram de duas semana atrás. Sentados na mesa de bar. Risos e brincadeiras. Mas como chegaram até ali? Como estavam ali sentados, rindo-se e criando expectativas mil e mais de uma esperança? Todas essas perguntas os levariam ao mesmo lugar. Os dois se lembram da mesma ocasião. Mas como podemos perceber, cada uma tem sua forma de encarar a realidade. Cada em tem sua forma de lidar com seus sentidos aguçados.
Em frente à geladeira fechada, com a garrafa na mão, olhando o vão escuro que lhe cerca. Caio fecha os olhos, sua mente é levada a buscar respostas. Duas semanas atrás, em casa, se arrumando para ir encontrar amigos. Um dia comum, nenhuma expectativa, nada programado. Caio não era de enfrentar a vida de olhos abertos e pensava não ter nada para ver, realmente. A verdade é que já o tinham falado sobre Thiago. Disseram sobre um 'cara novo que estava andando com o galera'. Ele pensou ser só mais um. Mas tinha de se mostrar, ele tinha essa necessidade também. Então saiu de casa atrasado, de uns tempos pra cá, ele tem feito isso sempre o que me irrita muito. Chegou no local marcado, atrasado. Ninguém reclamou, afinal todos têm esse costume mesmo. Logo viu o garoto novo chegando, não se sentiu atraído à primeira vista, sequer interessou-se. O que aconteceu foi o de sempre, conversas fora, algumas ofensas trocadas, alguns cigarros e outras cervejas. Quando deu por si, estava com uma conversa vã com aquele desconhecido. E já que era para conversar, que ao menos tivessem um assunto interessante, não? Aos poucos os dois estranhos foram conversando e se conhecendo. Caio descobriu coisas sobre Thiago e que aquele garoto tinha muito a evoluir. Ele se via nos atos e gostos dele quando mais novo. Se sentia conhecedor do caminho que ele estava a seguir. Sempre foi assim, sempre quis ser o dono da verdade e muitas vezes as pessoas o faziam sentir-se assim. Por isso falava coisas que se encaixavam na vida de Thiago e Thiago ouvia atentamente.
No meio fio, já meio zonzo Thiago estava realmente deprimente. Seus olhos tinham olheiras causadas por um lápis de olho borrado de choro. Fumando um cigarro atrás do outro, pior que maria fumaça, chegava a feder a bebedeira e fumo. Não tinha mais nada que lhe cabia naquele momento a não ser se deitar no chão da calçada de braços abertos e berrar, como se alguém tivesse alguma resposta, do porque. Se sentiu tão impotente, que forçou sua mente a se lembrar de cada passo que dera naquele dia, a duas semanas atrás. sua primeira visão foi quando saía de casa, como num dia qualquer. Nunca fora de se preocupar muito com o que os outros pensavam, tinha uma forma própria de ver a vida. Se arrumou, vaidoso, para encontrar amigos. Não sabia que iria conhecer alguém novo naquele dia. Já ouvira falar de Caio antes, muitas coisas que limavam a imagem daquele garoto. Amigos são engraçados, lembram primeiro dos podres. Morava longe e já tinha sacado que aquelas pessoas tinham o péssimo costume de se atrasar. Normalmente entrou no ônibus, chegou até o local marcado. Logo olhou para aquele ser excêntrico que estava junto daquelas pessoas. O desconhecido atrai. Thiago se sentou, não propositadamente, ao lado de Caio. Olhava aquelas pessoas rindo alto, bebendo e falando palavrão. Sorrindo à toa, se divertia naquela cena. Puxou um assunto descompromissado com Caio, nada que rendesse muito. Caio é que deu o levante à coisa. Thiago ficou impressionado com o conhecimento daquele garoto. Pensou logo que aquele assunto todo tinha uma segunda intenção por trás. Então, deu assunto. Via a oportunidade rara de usar aquele papo para adquirir um pouco de conhecimento. Aos poucos via aquele garoto se achando o mais velho e lhe dando conselhos de vida. Deixou o papo correr solto enquanto absorvia aquele conhecimento. De longe parecia que era o velho sábio querendo mostrar sua pompa e o aprendiz querendo atropelar todas as coisas para ser logo o mais sábio. Thiago ouvia, enquanto Caio falava descontroladamente.
Para um primeiro encontro casual, os dois se saíram muito bem. Mas nada passou das conversas. Conversas descompromissadas, sim. Mas com auto teor de responsabilidade, um pelo ego do outro. Egos massageados são um ótimo início para qualquer relacionamento.
Continua...

2 Flores:

  1. Odeio primeiros encontros...
    primeiros encontros me causam pânico!
    mas eu adoro encontros casuais...

    tudo, na vida, podia ser como um encontro casual... ou um primeiro encontro tranquilo...
    tudo é novo... o olhar, o papo, os sonhos são novos...

    uma sensação boa!!!!

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